Versão cômica de “E agora, José”
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
(…)
Nossa, esse poema do Carlos Drummond tem feito parte da minha vida por um bom tempo, fez, faz ou fará parte, não sei ao certo. A letra é muito forte, muito profunda, não daria para analisá-la ponto a ponto aqui se não ia filosofar (viajar) e a coisa ia ficar maior que o Antigo Testamento. Mas a letra faz a gente refletir, nos sentir José´s da vida. Em pensar que somos um José solitário, sem nada. Acho que alguma vez na vida todos nós já passamos por isso. Aquele velho sentimento de estarmos numa multidão, mas era como se estívessemos sozinhos, sem ninguém. A festa havia acabado de começar para os outros, mas para nós parecia que já havia terminado antes mesmo do início. As vezes sentimos raiva/ inveja/ódio/desprezo em ver pessoas se divertindo enquanto nós…lá na fossa.
Engraçado, atualmente não me sinto assim, mas já me senti muito nos períodos depressivos que a vida me proporcinou, sim, proporcionou enxergar as coisas de uma maneira diferente. Cresci ouvindo que “depois da tempestade vem a bonança” A guerra é dura, mas a vitória é muito mais, sensação de dever cumprido. Sim, hoje (agora!) me sinto um vencedor. Apesar de ainda estar nessa paranóia de me auto-diagnosticar como sendo Bipolar (vide blog…). Minha psicóloga acha que isso é apenas uma fulga, um boicote que impus a mim mesmo, para tentar encubrir o que há de melhor em mim. É como se eu sentisse medo de ser eu mesmo, de ser rejeitado por mim mesmo e, claro, pelos outros, e de não poder proporcionar a mim mesmo o que há de melhor que a vida pode oferecer através de nossas próprias escolhas.
Sei que enquanto eu não for em um psquiatra – em dois talvez para tirar a dúvida de ser ou não ser bipolar – não vou sussegar. Apesar dos sintomas terem aparecidos sem mesmo antes eu ter noção do que era ter esse transtorno. Tive uma crise de hipermania no final do ano passado e durante os primeiros meses desse ano. Achei que havia mudado de vida, que ia me tornar um empresário de sucesso, um líder espiritual ou algúem muito influente no Brasil e até mesmo no mundo, uma celebridade. Sim, tinha esses sonhos de ser famoso, de não ser um José sem ninguém. E meu ego inflou, me amava a mim mesmo como mais do que tudo nesse mundo, apesar dos amores platônicos e impossíveis que nunca deixei de sentir por causa da minha condição sexual ainda incubada. Hoje, voltei a hipomania depois de longos meses em depressão, e voltei um pouco, mas consciente, com o ego inflado.
Agora, segundo os conceitos bipolares, estou em hipomania. Mas será mesmo? Fico me questionando se realmente tudo isso é um transtorno, se realmente eu tou querendo ser eu mesmo, me dar essa felicidade, acho que mereço, não!? Eu mereço! Você merece! Todos nós merecemos ser felizes. A vida não foi feita pra ser morrida todos os dias, mas sim aproveitada a cada dia como se fosse o último. Parece clichê, parece auto-ajuda demais, mas é isso mesmo, não parece, é! Cansamos de ouvir isso, mas por em prática que é bom nada, né? Nos auto ajudar parece ser tão difícil quanto ajudar aos outros.
Vou pensar mais nisso, falo como se tivesse falando para você, meu caro leitor – como se fosse um jornalista… – mas é para mim mesmo. Meu eu interior falando para mim, dizendo que ele não quer ser um “E agora, José?” , mas sim “É AGORA, JOSÉ!” Agora! Sim, agora! Vá viver, vá ser você, vá amar e buscar os que te amam e até mesmo os que te odeiam, já que esses sentimentos são tão próximos um do outro. Sim! José, Maria, João, seja quem for você: É AGORA, JOSÉ!!!!!

2 comments
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Outubro 22, 2007 às 7:29 am
Dia
Ai ainda bem meu caro amigo que “eu me chamo” Maria Maria, e sei que é preciso ter força, ter raça,ter gana sempre ainda mais para quem traz no alma a marca da bipolaridade!
Sei que todos os bipos com o tempo aprendem a ter fé na vida e tornam-se um tipo de gente que ri quando deve chorar!
Ah José, José aquele q para no meio do caminho e se indaga para onde vai, ora se é para parar que seja no divã do analista fora isso, que não seja, pois José será Zé Ninguém.
Quem para na pista é atropelado! Pode parecer que brinco com minhas analogias, mas você amigo, sabe que falo, sério.
Agora não pergunto mais aonde vai a estrada.
Agora não espero mais aquela madrugada.
Vai ser,vai ser,vai ter de ser, vai ser!
Deixar a sua luz brilhar e ser muito tranquilo.
Deixar o seu amor crescer e ser muito tranquilo.
Brilhar, brilhar,acontecer!
E quer saber querido amigo, você merece sim toda a felicidade, assim como todo ser humano!
Se os bipoos tem este aditivo a mais do boom da hipomania porque não torna-la produtiva?
Em vez de censura-la, porque não canaliza-la?
Se não fizer mal a você nem ao próximo, então viva a hipomania, será a vantagem dos bipos, já que trazemos a dor também em nosso peito, pois a deprê esta sempre a espreita, como se fosse uma cobra esperando a hora de dar o bote.
Pois meu bem, não somos José’s e mesmo que nosso nome fosse este não seriamos os da música sabe porque?
Estamos mais para esta música!
I Feel Good * Igual no filme Mr. Jones * Mas só o começo
Oh, Eu me sinto bem, eu sabia que me sentiria
Eu me sinto bem, sabia que me sentiria
Tão bem, tão bem, por ter você
Oh, Eu me sinto bem…
Outubro 22, 2007 às 2:17 pm
Bebel
Por que será que com o caminhar da humanidade vamos adquirindo sequelas q não somos capazes de entender o que pode nos levar à beira da loucura!
Sensações!!! Você quer agarrá-las, trucidá-las, mas elas fogem tanto que você acaba por se questionar se elas existem; se você existe.
Mas dói tanto agora, queima, aperta e esmaga o peito, se contorcer no chão já não adianta mais, os berros saem emudecidos, o desespero é asfixiado porque ali é o limite.E o precipício desse desespero é tudo que os olhos mareados podem ver no momento. A languidez faz meu corpo pesar e despencar na busca de uma salvação. Chorar não adianta mais. As emoções são rijas e aniquiladoras. Fugir!! Mas pra onde? Tenho medo do lado de fora. Talvez se antes eu não tivesse tentado fugir pra dentro de mim, não teria tanto medo de fantasmas, que na verdade, estão só aqui comigo. Preciso enfrentar um medo maior para matá-los e abrir a porta e caminhar sob a luz do sol.